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O Douro

Gosto muito do (meu) Mondego, é o rio que por tantos motivos me transborda o coração, mas o Douro é o Douro. Era este a paisagem que queria mostrar, antes de vos deprimir com as minhas crises existenciais. A vista do nosso quarto, numa escapadinha que nos soube pela vida. :)

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Depois de reler o último texto…

… fiquei com a sensação que o deixei a meio. E é também pela metade que sinto que vivo (vivemos) os assuntos “quentes” do dia-a-dia. Estamos de tal forma embrenhados na escuridão das nossas cavernas, que já temos dificuldade em distinguir, por entre as sombras que nos chegam dos telejornais e das redes sociais, se aquele é o atentado que foi noticiado na semana passada ou se é novo. Se é novo, se está a acontecer, aumentamos o volume, indignamo-nos, partilhamos compulsivamente imagens de solidariedade. Se tem uns dias, expirou a data de validade para reagirmos. A informação e a contra-informação chegam-nos mais depressa do que nunca, ao mesmo tempo que a esquecemos mais depressa do que nunca também. Consumimos tragédias e polémicas como quem debica tremoços. Ainda alguém se lembra dos bombeiros? Da mãe que deitou o filho bebé no chão do aeroporto? Da criança síria retirada dos escombros de um edifício bombardeado em Aleppo? E quem diz Aleppo, diz Gaziantep, Ponte de Sore, Madeira, Niece, Baviera, Bruxelas, Orlando, Istambul… Realmente, como é que há memória que resista? Como é que se faz para que todos estes lugares, estas vidas, não caiam no esquecimento? Ando incomodada com isto… Quero ter uma voz mais ativa, mas ainda não encontrei a melhor maneira para a exprimir. Até lá, agarro-me à esperança de que pequenos gestos, qual bater de asas de uma borboleta, possam fazer a diferença na vida de alguém lá do outro lado do mundo.

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Acordámos às 6:30…

… para ver o nascer do sol. Não somos madrugadores por natureza (por enquanto), mas achámos que aquele postal que víamos do quarto merecia ser admirado ao amanhecer.  Saltei da cama sem esforço assim que tocou o despertador, deserta de correr as cortinas e me deixar inundar pelo Douro vestido de prata e o horizonte a ser rasgado por tons de laranja. Por tons de laranja do sol a aparecer por trás dos vales, não por causa disto:

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É impossível almoçar fora, colocar uma fotografia de uma paisagem bonita no Instagram, curtir o Verão descontraidamente, sem algum peso na consciência. Senti-me quase como aqueles tios que vivem em condomínios de luxo no Brasil, com vista para a favela, a dar braçadas na piscina, enquanto lá ao longe se avista mais uma cortina de fumo. Não sei até que ponto e em que situações concretas devemos condicionar a nossa vida por causa das tragédias que acontecem à porta dos outros, seja do outro lado do rio ou do outro lado do mundo. Ou melhor, sei que não é nisso em que acredito, na passividade. No entanto, ali estávamos os dois à janela, sem planos de nos envolvermos diretamente no que estava a acontecer mesmo diante dos nossos olhos. Sei que pegar numa mangueira e ir para a frente de um fogo não é a única forma de ajudar, mas mesmo assim não deixa de ser desconfortável pensar que, mesmo tocados por aquele cenário desolador, fomos capazes de voltar para a cama e dormir um bocado, antes de nos prepararmos para mais um dia de férias.

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De volta?

Deixo passar tanto tempo sem aqui vir que, quando me apetece regressar, perco a vontade ao imaginar todos os acontecimentos dignos de registo que deixei escapar. Os pensamentos que me desassossegaram, as músicas que ficaram no ouvido, as cenas dos filmes e as passagens dos livros que me marcaram. As viagens e as comezainas. Os tropeções e as conquistas. A sensação de que se fez tanta coisa em simultâneo com a de que tanto ficou por fazer. Quero dizer-vos de que enchi a minha vida nos últimos meses, mas está difícil: não sei por onde começar, há coisas que ou se vivem e se tentam explicar no momento, ou já não parecem as mesmas. Vou deixa-las onde estão repescando uma ou outra memória, pode ser? E, nos entretantos, prometo cá voltar com mais regularidade. Até porque, cheira-me, haverá mais assuntos sobre os quais escrever nos próximos tempos. :)

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Eu não me entendo

Eu não me entendo from Eduardo Nunes on Vimeo.

Entrego a minha voz ao coração do vento
E quanto mais água dos meus olhos corre
Mais fogo acendo
Eu não me entendo
Eu não me entendo
E por ti já gastei o pensamento
Ai amor, ai amor, se o tempo
Já gastou, já gastou o nosso tempo
Eu não me entendo
Eu não me entendo

A primavera do meu tempo
Já gastei a primavera do meu tempo
Já fiz da boca jardins de vento
E não me entendo
E não me entendo
Eu não me entendo