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[sem título]

Tinha decidido passar o Domingo de pijama, com um único objetivo em mente: vegetar. Vegetar muito e com muita força. Sem saber como, acabei por passar mais de 6h numa auto-estrada.

Na noite anterior liguei ao meu pai, num último rebate de consciência por causa do Dia do Pai. Planeava pôr-se a caminho de Lisboa na manhã seguinte para assistir ao lançamento de um livro que incluía poemas da sua autoria. Fez-se um silêncio desconfortável. “Eu vou contigo.” Não sei quando e qual foi o último programa que fiz com o meu pai. Aliás, tirando os sermões, não sei quando foi a última vez que trocámos mais do que meia dúzia de palavras de cada vez. Não sou de guardar ressentimentos, não mesmo. Compreendo e tolero (quase) tudo, não porque goste de me armar em Nossa Senhora da Condescendência, mas porque acho que a maior parte das situações e dos comportamentos que nos desagradam nos outros devem ser vistos como pontas de icebergs. Não sabendo tudo o que está para baixo, não nos devemos precipitar a emitir juízos de valor implacáveis. Isto para dizer que é preciso muito para merecerem um lugar na minha lista “negra”. (Mas não se estiquem, ok? Tenho outras listas intermédias de acesso menos restrito. :P) Portanto, quando a gota transborda para fora desta piscina de proporções olímpicas que é o meu coração, é-me muito difícil separar as águas. No entanto, naquele momento, vacilei. Vacilei porque me lembrei do pai amigo, companheiro, bom coração, que com tantas memórias boas preencheu a minha juventude. “Eu vou contigo.” E fui.

Saímos com tempo para cumprir um pequeno ritual das nossas idas a Lisboa: parámos na Venda das Raparigas, essa terra de nome peculiar com umas bifanas para lá de espetaculares. Acho que da última vez ainda não tinha idade ou gosto para pedir um fino. Não sei se foi por ter trocado a Coca-Cola por uma Super Bock preta fresquinha, a bifana ainda me soube melhor do que a minha recordação hiperbólica.

Voltámos à estrada. Ainda estávamos a ganhar embalo quando nos apercebemos que os carros à nossa frente estavam a travar. Engarrafamento, daqueles em que mais vale desligar o motor e sair para esticar as pernas. Faltava-nos uma boa meia hora de caminho. Estivemos parados 2h. Troquei mensagens com alguns condutores mais à frente (modernices), acidente complicado, mais de uma dezena de veículos de socorro envolvidos, incluindo um helicóptero. Assim do nada, a apenas 3km de nós, duas vítimas mortais, feridos graves, uma criança de 4 anos órfã de pai de um minuto para o outro. Olhei para o meu, encostado ao carro a enrolar um cigarro, e senti-me mal pelo tempo que temos vindo a desperdiçar, eu a trata-lo com uma frieza que nada tem a ver comigo, ele a ignorar os sinais daquilo que mina a convivência familiar.

Quando finalmente reabriram a autoestrada, já passava da hora marcada para o lançamento do livro. Passámos por uma equipa de reportagem que ria descontraidamente ao lado dos poucos destroços que ainda não haviam sido recolhidos. Como é que se fica imune a estas coisas? Como é que se sorri quando uma tragédia nos morde assim os calcanhares? Seguimos viagem, pela autoestrada e pela vida.

Chegámos ao local, os convidados já tinham dispersado, o palco já tinha sido desmontado e as fotografias para a posteridade já tinham sido tiradas. O meu pai, calado mas visivelmente decepcionado, agarrou num exemplar e virou costas. Tentei distanciar-me da tristeza dele dizendo a mim mesma que o Universo lá tem as suas formas por vezes incompreensíveis de dar algumas lições, mas não fui capaz. Dei-lhe o braço enquanto caminhávamos em direcção ao carro para regressarmos a casa. Estava, provavelmente, demasiado absorto na sua frustração para reparar que aquele era o primeiro gesto cúmplice que partilhávamos em muito tempo. Por isso, e em jeito de conclusão pseudo-moralista de filme de Domingo à tarde, nunca deixem de dar o (a)braço a alguém, se sentirem esse impulso. No final, seja ele trágico ou natural, ninguém se arrepende por ter amado demais.

(Também não se esqueçam que são precisos 2.500.000 litros de água para encher uma piscina olímpica.)

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Karma

Karma é preparar duas refeições vegetarianas seguidas e levar com o último filme do Rocky Balboa ao serão. Amanhã almoçamos um naco de carne, pronto!…

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Privação de Sono

Já não sou capaz de aguentar uma direta como em outros tempos (mentira, nunca fui capaz de aguentar uma direta sem ficar ligada às máquinas a seguir), mas achei que ainda me aguentava com algumas noites mal dormidas no pêlo. Sim, é verdade que trato as insónias por tu, mas não é a mesma coisa que acordar de hora a hora por causa de um gato que mia desalmadamente em busca de fêmeas imaginárias. Agora, uma semana a assistir a este filme na primeira fila, e já estou a fritar da marmita.

Prova disso foi o episódio de Quinta-feira: fui almoçar com a avó ao shopping. Sentei-a e perguntei-lhe o que é que queria comer. Pediu-me uma fatia de pizza e um fino. (Acham que a avó chegou aos 80 anos a beber ice-tea, não?) Lá fui eu para a fila da Pizza Hut, pus-me atrás de meia dúzia de pessoas, esperei, mexeriquei no telemóvel, espreitei os menus, até que finalmente chegou a minha vez.

– Quem está a seguir, por favor?
– Boa tarde. Queria o menu com duas fatias de pizza e um fino, sff.
Empregado faz uma pausa.
– Ok, mas isto aqui é o Burger King.

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Oscars 2016 – ponto de situação

O Facebook lembrou-me que, há um ano atrás, vimos o Nightcrawler, um filmaço daqueles mesmo muito bons que, de forma estupidamente injusta, não trouxe ao Jake Gyllenhaal a nomeação para o Oscar de melhor ator. (Parece que dou muito crédito aos Oscars, eu sei, mas é só porque mantenho a esperança de que as nomeações não sejam todas fruto de joguinhos e interesses dissimulados de Hollywood.)

Hoje foi a vez de vermos o Steve Jobs. Se o filme de 2013 foi uma coisa superficial e desvirtuada, este do Danny Boyle é daqueles que nos sugam para dentro do ecrã, graças a um argumento muitíssimo bem escrito/adaptado, denso e complexo, com interpretações que me parecem estar mais à altura da personalidade tumultuosa, brilhante e não consensual do fundador da Apple.

Também riscámos o Mad Max da lista. Gosto de cinema, não tanto como gosto de ler, mas quando um filme me prende a atenção e fico a pensar nele vários dias seguidos é uma sensação muito boa. Não sou grande entendida, da parte técnica não pesco nada (sei lá que raio quer dizer que foi filmado em 70mm) e não tenho faro para grandes filmes fora do circuito mais comercial, por isso as minhas críticas baseiam-se numa premissa muito simples: o meu gosto pessoal. Por causa disso, acredito que o Mad Max seja um filme mesmo muito bom. Não faz nada, naaada o meu género, credo, e mesmo assim estive colada do primeiro ao último minuto. Outro ponto a favor: saiu na primeira metade de 2015 e nem assim os críticos se esquecerem dele.

Vamos ver se, durante a semana, conseguimos ver mais algum. Temos é que repor o stock das pipocas primeiro. :)

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Dark bird is home

Faz hoje uma semana, mais coisa menos coisa, que fizemos “check” a um nome da lista de músicos com um lugar de destaque na banda sonora da nossa vida. E que espetacular que foi! :)