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De volta?

Deixo passar tanto tempo sem aqui vir que, quando me apetece regressar, perco a vontade ao imaginar todos os acontecimentos dignos de registo que deixei escapar. Os pensamentos que me desassossegaram, as músicas que ficaram no ouvido, as cenas dos filmes e as passagens dos livros que me marcaram. As viagens e as comezainas. Os tropeções e as conquistas. A sensação de que se fez tanta coisa em simultâneo com a de que tanto ficou por fazer. Quero dizer-vos de que enchi a minha vida nos últimos meses, mas está difícil: não sei por onde começar, há coisas que ou se vivem e se tentam explicar no momento, ou já não parecem as mesmas. Vou deixa-las onde estão repescando uma ou outra memória, pode ser? E, nos entretantos, prometo cá voltar com mais regularidade. Até porque, cheira-me, haverá mais assuntos sobre os quais escrever nos próximos tempos. :)

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Não esquece!!!

O rapaz passou metade do dia deitado no chão da sala: está com uma dor de costas de meter dó. Mexe-se à velocidade de uma preguiça com paralisia muscular. Transladou-se para a cama. Preparo-me para lhe aplicar mais um pouco de bálsamo. “– Põe-te de barriga para baixo, vá.”

Aponta para um vídeo no telemóvel e, com a sua expressão mais ameaçadora, responde: “– Não esquece!!!”.

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Work-at-home #2

“Work-at-home” significa também poder trabalhar fora de casa. Como tive que me enfiar na Segurança Social a seguir ao almoço, e um par de horas já estava perdido, decidi passar o resto da tarde n’A Nata de Lisboa, na Baixa de Coimbra, que não só é um espaço agradável, com um atendimento simpático e umas natas deliciosas, como daqui consigo ouvir o meu amigo Luis Bartolessi a tocar saxofone na esquina do Arco de Almedina. (Piscou-me o olho e tocou o La Vie en Rose, é magnífico o raça do espanhol!)

Tirei o portátil da skin (onde também guardo alguns documentos e meia dúzia de folhas de rascunho) e coloquei-a na cadeira ao meu lado. Entretanto, uma família de alemães abeirou-se e perguntou se podia tirar a cadeira. Disse imediatamente que sim. Agora preciso de uma folha que está dentro da maldita skin e o alemão-pai tem o rabo alapado em cima dela. Será que ele pensou que era uma almofada? A sério? Só a mim, senhores, só a mim…