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Oscars 2016 – ponto de situação

O Facebook lembrou-me que, há um ano atrás, vimos o Nightcrawler, um filmaço daqueles mesmo muito bons que, de forma estupidamente injusta, não trouxe ao Jake Gyllenhaal a nomeação para o Oscar de melhor ator. (Parece que dou muito crédito aos Oscars, eu sei, mas é só porque mantenho a esperança de que as nomeações não sejam todas fruto de joguinhos e interesses dissimulados de Hollywood.)

Hoje foi a vez de vermos o Steve Jobs. Se o filme de 2013 foi uma coisa superficial e desvirtuada, este do Danny Boyle é daqueles que nos sugam para dentro do ecrã, graças a um argumento muitíssimo bem escrito/adaptado, denso e complexo, com interpretações que me parecem estar mais à altura da personalidade tumultuosa, brilhante e não consensual do fundador da Apple.

Também riscámos o Mad Max da lista. Gosto de cinema, não tanto como gosto de ler, mas quando um filme me prende a atenção e fico a pensar nele vários dias seguidos é uma sensação muito boa. Não sou grande entendida, da parte técnica não pesco nada (sei lá que raio quer dizer que foi filmado em 70mm) e não tenho faro para grandes filmes fora do circuito mais comercial, por isso as minhas críticas baseiam-se numa premissa muito simples: o meu gosto pessoal. Por causa disso, acredito que o Mad Max seja um filme mesmo muito bom. Não faz nada, naaada o meu género, credo, e mesmo assim estive colada do primeiro ao último minuto. Outro ponto a favor: saiu na primeira metade de 2015 e nem assim os críticos se esquecerem dele.

Vamos ver se, durante a semana, conseguimos ver mais algum. Temos é que repor o stock das pipocas primeiro. :)

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Oscars 2016 – A Rapariga Dinamarquesa

Está muitíssimo bem filmado e é o que lhe vale. Tenho curiosidade em ver o Eddie Redmayne num papel principal em que não sejamos distraídos pela caracterização física.

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Oscars 2016 – Joy

Se alguém me dissesse, há um mês atrás, que em meados de Janeiro ainda não teria posto os pés no cinema para ver a Guerra das Estrelas… Pior!, se alguém me dissesse, há um mês atrás, que em meados de Janeiro ainda não teria posto os pés no cinema para ver a Guerra das Estrelas, mas já o teria feito para ver uma comédia dramática daquelas bem ligeirinhas, que podem perfeitamente ser vistas em casa…

Não, não passei para o lado negro da força, Joy foi uma tentativa de agradar a gregos e a troianos, de entre as hipóteses que tínhamos em cartaz, e só por isto já se vê que é um filme que não inspira grandes ódios ou paixões. É um filme morninho, mas que me fez dar 2h por bem gastas.

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Há uns anos atrás, escrevi algures que o Oscar da Jennifer Lawrence, pelo Silver Linings Playbook, do mesmo realizador de Joy, era um lobby descaradíssimo. Contino a ser da mesma opinião, mas parece-me que a miúda tem realmente talento e potencial para começar a assumir grandes papéis. Aliás, o filme vale por isso mesmo, por uma interpretação cheia de girl power, um muito bem servido cocktail de emoções como só esta menina-mulher sabe preparar.

E, pronto, com esta quase certa nomeação ao Oscar de melhor atriz, dou como oficialmente aberta a maratona cinematográfica que antecede a cerimónia de entrega das estatuetas douradas! Mas, p’lo amor de Deus, o próximo filme tem que ter sabres de luz, ok?

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Jon Voyage!

Ontem vi o último Daily Show com o Jon Stewart. É verdade que de há algum tempo para cá já não seguia religiosamente o programa, mas fiz mesmo questão de não deixar passar muito tempo sem ver este episódio. Dizia o Stephen Colbert, num dos momentos mais genuínos que vi na tv nos últimos tempos, em jeito de agradecimento pelos últimos 16 anos, que todos se tornaram melhores profissionais e melhores pessoas por causa dele. Há 16 anos eu tinha 11. Dois anos depois vi dois prédios com mais de uma centena de andares serem atingidos por dois aviões sem compreender o motivo para tantas pessoas inocentes perderem assim a vida. Sem compreender porque é que aquilo me dizia respeito. Hoje, agradeço ao Jon Stewart por ter contribuído para incendiar de forma tão sagaz o meu espírito crítico. Por me ter explicado porque é que me diz repeito. Afinal, “bullshit is everywhere” e é nosso dever estarmos atentos e minimamente informados. Há 16 anos aconteceu do outro lado do oceano, hoje acontece no Iraque, na Síria, no Mediterrâneo e às portas da Europa. Há sete meses foi em Paris, aqui a dois passos. A distância geográfica entre conflitos já não se mede em quilómetros, mede-se em interesses e prioridades. Obrigada, Jon Stewart, por me ajudares a definir os meus.

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Vejam o episódio completo aqui.

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Das séries que viciam #1

Sabes que andas a ver demasiados episódios de Walking Dead seguidos quando começas a ter garrafões de água em casa, tu que sempre bebeste águinha del cano sem problema algum. E uns pacotes de bolachas à mão. E uma faca. E uma caixa de tampax.

O Homem Mais Procurado

Eu que nem sou muito de filmes de espionagem, não podia deixar de ver “O Homem Mais Procurado”, baseado no livro homónimo do escritor John le Carré. Era a minha última oportunidade para ver no grande ecrã um filme completo com o Philip Seymour Hoffman.

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Confesso que tive alguma dificuldade em gerir as expetativas: e se o filme não fosse nada de especial? Seria capaz de tecer uma crítica imparcial? Perdoar-lhe-ia por nos deixar com um desempenho assim-assim sem hipótese de voltar e se redimir? Enfim, fui assolada por uma série de dúvidas que, felizmente, não foram além dos primeiros quinze minutos de filme. Por essa altura já eu estava completamente absorvida e me esquecia que ali estava Seymour Hoffman a desempenhar um papel. Não, aquele era Günther Bachmann, líder de uma agência secreta alemã contra o terrorismo, sempre foi. E algures, já quase no final do filme, bateu-me em cheio na cara esta constatação. Funguei. Não porque o filme puxasse à lágrima, não, nada disso, mas porque dei por mim a pensar que nunca mais poderemos assistir a um encaixe destes entre um ator e uma personagem. Entre um homem e um cigarro. Entre um olhar e uma ideia.

“For the most sensitive among us the noise can be too much.”