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Acordámos às 6:30…

… para ver o nascer do sol. Não somos madrugadores por natureza (por enquanto), mas achámos que aquele postal que víamos do quarto merecia ser admirado ao amanhecer.  Saltei da cama sem esforço assim que tocou o despertador, deserta de correr as cortinas e me deixar inundar pelo Douro vestido de prata e o horizonte a ser rasgado por tons de laranja. Por tons de laranja do sol a aparecer por trás dos vales, não por causa disto:

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É impossível almoçar fora, colocar uma fotografia de uma paisagem bonita no Instagram, curtir o Verão descontraidamente, sem algum peso na consciência. Senti-me quase como aqueles tios que vivem em condomínios de luxo no Brasil, com vista para a favela, a dar braçadas na piscina, enquanto lá ao longe se avista mais uma cortina de fumo. Não sei até que ponto e em que situações concretas devemos condicionar a nossa vida por causa das tragédias que acontecem à porta dos outros, seja do outro lado do rio ou do outro lado do mundo. Ou melhor, sei que não é nisso em que acredito, na passividade. No entanto, ali estávamos os dois à janela, sem planos de nos envolvermos diretamente no que estava a acontecer mesmo diante dos nossos olhos. Sei que pegar numa mangueira e ir para a frente de um fogo não é a única forma de ajudar, mas mesmo assim não deixa de ser desconfortável pensar que, mesmo tocados por aquele cenário desolador, fomos capazes de voltar para a cama e dormir um bocado, antes de nos prepararmos para mais um dia de férias.

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