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Depois de reler o último texto…

… fiquei com a sensação que o deixei a meio. E é também pela metade que sinto que vivo (vivemos) os assuntos “quentes” do dia-a-dia. Estamos de tal forma embrenhados na escuridão das nossas cavernas, que já temos dificuldade em distinguir, por entre as sombras que nos chegam dos telejornais e das redes sociais, se aquele é o atentado que foi noticiado na semana passada ou se é novo. Se é novo, se está a acontecer, aumentamos o volume, indignamo-nos, partilhamos compulsivamente imagens de solidariedade. Se tem uns dias, expirou a data de validade para reagirmos. A informação e a contra-informação chegam-nos mais depressa do que nunca, ao mesmo tempo que a esquecemos mais depressa do que nunca também. Consumimos tragédias e polémicas como quem debica tremoços. Ainda alguém se lembra dos bombeiros? Da mãe que deitou o filho bebé no chão do aeroporto? Da criança síria retirada dos escombros de um edifício bombardeado em Aleppo? E quem diz Aleppo, diz Gaziantep, Ponte de Sore, Madeira, Niece, Baviera, Bruxelas, Orlando, Istambul… Realmente, como é que há memória que resista? Como é que se faz para que todos estes lugares, estas vidas, não caiam no esquecimento? Ando incomodada com isto… Quero ter uma voz mais ativa, mas ainda não encontrei a melhor maneira para a exprimir. Até lá, agarro-me à esperança de que pequenos gestos, qual bater de asas de uma borboleta, possam fazer a diferença na vida de alguém lá do outro lado do mundo.

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