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Não sei se já disse…

… mas adoro pequenos-almoços. Adoro! Não há refeição da qual tire tanto prazer. Uma caneca de café com leite, um pão torrado com manteiga e sou uma pessoa realizada. Simples assim. Se for algo mais compostinho, com panquecas, compotas caseiras, croissants estaladiços e sumos naturais, também não digo que não, verdade seja dita, mas a quantidade e a diversidade não são proporcionais ao deleite. O que importa é que durante os minutos em que estou a “pequeno-almoçar”, sejam dez ou trinta, sou impermeável. Ao mau humor matinal (dos outros, eu cá não tenho disso), à pressa, aos e-mails que precisam de resposta, à pilha de trabalho que me espera, a qualquer tarefa ou programa menos apetecível. Mas mesmo ao fim-de-semana ou durante as férias, ou seja, em dias em que não tenho propriamente motivos para me resguardar, a sensação de proteção que este momento me oferece é tão reconfortante que não o dispenso por nada. Enquanto o pão aquece na torradeira, o tempo não está a contar. Ponho o cérebro em modo “avião” e saboreio o privilégio que é poder pôr tudo em stand-by por uns instantes.

Daqui a um mês, mais coisa, menos coisa, serei mãe. Não tenho a pretensão de achar que as rotinas não levam uma volta de 180º. Na verdade, não tenho a pretensão de nada, a não ser a de que vou dar o meu melhor para coabitarmos os três (ou os cinco, se contarmos com os gatos) da forma mais tranquila que nos for possível. Não há estratégias nem planos pré-definidos. Para já, confio que o instinto será a nossa melhor bússola e que nos guiará, mesmo que às apalpadelas, neste processo inicial de descoberta e adaptação. Ainda assim, não são raras as vezes em que me bate o medo de que talvez esteja a ser demasiado optimista. E se, ao final de uma semana, já estou a mandar esta posturazinha tão zen à fava e a dar razão às mães que descrevem os primeiros dias semanas meses com um bebé pequenino como a fase mais caótica e insana das suas vidas?… Qual instinto, qual quê… Salve-se quem puder, como puder! E os rituais, mimos e pequenos luxos das mães e dos pais, onde é que ficam? Não, não me digam que desaparecem, que não há tempo, que nem queremos saber mais deles para nada! Não estou preparada para aceitar que a maternidade é uma troca radical de identidade. Acredito que as prioridades mudam, parte delas naturalmente e sem grande espírito de sacrifício. Mas outras… O pequeno-almoço fica, que se lixe o duche! Não estou aberta a negociações. Pode não ser a primeira coisa que faço depois de acordar. Ou a vigésima, pronto. Não faz mal. Afinal, as melhores coisas da vida fazem-se esperar. Algumas por nove meses.

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