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O Homem Mais Procurado

Eu que nem sou muito de filmes de espionagem, não podia deixar de ver “O Homem Mais Procurado”, baseado no livro homónimo do escritor John le Carré. Era a minha última oportunidade para ver no grande ecrã um filme completo com o Philip Seymour Hoffman.

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Confesso que tive alguma dificuldade em gerir as expetativas: e se o filme não fosse nada de especial? Seria capaz de tecer uma crítica imparcial? Perdoar-lhe-ia por nos deixar com um desempenho assim-assim sem hipótese de voltar e se redimir? Enfim, fui assolada por uma série de dúvidas que, felizmente, não foram além dos primeiros quinze minutos de filme. Por essa altura já eu estava completamente absorvida e me esquecia que ali estava Seymour Hoffman a desempenhar um papel. Não, aquele era Günther Bachmann, líder de uma agência secreta alemã contra o terrorismo, sempre foi. E algures, já quase no final do filme, bateu-me em cheio na cara esta constatação. Funguei. Não porque o filme puxasse à lágrima, não, nada disso, mas porque dei por mim a pensar que nunca mais poderemos assistir a um encaixe destes entre um ator e uma personagem. Entre um homem e um cigarro. Entre um olhar e uma ideia.

“For the most sensitive among us the noise can be too much.”

Ainda sobre o Hoffman

Este artigo chegou-me pelas mãos de uma amiga que não suporta o Russell Brand (pfff!), mas que, ainda assim, achou esta posição muito pertinente. Toca na ferida, de uma forma tão óbvia que nos custa a acreditar que países tão cheios de si, como os EUA, ainda fecham os olhos de uma forma tão inconsciente e preconceituosa à problemática da toxicodependência. Vale a pena ler. Não sei que assunto mal resolvido a minha amiga tem com o Russel Brand, porque este senhor é genial.

Philip Seymour Hoffman’s death is a reminder, though, that addiction is indiscriminate. That it is sad, irrational and hard to understand. What it also clearly demonstrates is that we are a culture that does not know how to treat its addicts. Would Hoffman have died if this disease were not so enmeshed in stigma? If we weren’t invited to believe that people who suffer from addiction deserve to suffer? Would he have OD’d if drugs were regulated, controlled and professionally administered? Most importantly, if we insisted as a society that what is required for people who suffer from this condition is an environment of support, tolerance and understanding.

Philip Seymour Hoffman

Não vou chover no molhado e tentar pôr em palavras este sentimento estranho que nos faz lamentar o desaparecimento (ainda para mais abrupto) de alguém que não conhecemos. Não é preciso, já alguém o fez e, com certeza, melhor do que eu. Também não vou escrever nenhum texto em jeito de homenagem, não só porque não saberia estar à altura, há tantas coisas extraordinárias para dizer do Philip Seymour Hoffman, mas porque este tipo de desfechos (overdose) me deixam com mixed feelings. Li algures, no Facebook, que o Jim Carey partilhou as seguintes palavras “(…)For the most sensitive among us the noise can be too much.”. Foda-se, é que é mesmo isto.

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